Mostrando postagens com marcador O medo mora perto das idéias loucas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador O medo mora perto das idéias loucas. Mostrar todas as postagens

sábado, 29 de agosto de 2009

O homem perfeito (ou não).

"I've been searching for a man
All across Japan
Just to find, to find my samurai
Someone who is strong
But still a little shy
Yes I need, I need my samurai..."

Já havia se passado 5 meses.
5 meses que a minha companhia masculina mais próxima realmente era o pirata da garrafa de Montilla. Não, eu não estava satisfeita comigo.

Me perguntava onde estava o erro. Digo, não sou tão chata assim. Falo 3, quase 4 línguas, mestrado, segunda faculdade, com carro, salário razoavelmente bom, semi-independente.
Um dia, me dei conta.
Eu era feia, muito feia. Repulsiva é a palavra, e não, eu não encontrava outra explicação. Nasceu a história da 'deformidade facial severa' e todas as outras situações engraçadas que dela derivaram.

Eu já andava cansada de ser o cara que acompanhava meus amigos na balada, a amiga que vigiava as bolsas, o brother que os meninos só ligam pra chamar pro futebol de domingo.
Num fim de semana, joguei tudo pro ar, desmarquei uma viagem com amigos e pé na estrada.

Eu o conheci durante a viagem, e não foi de uma maneira muito convencional. É a parte mais engraçada e que talvez seja assunto pra outro post, por que definitivamente, é uma noite da qual quero me lembrar por muito tempo.

Ele era bonito, muito. De uma forma a qual eu nunca tinha estado tão perto. Era o melhor abraço também.
Mas a noite acabou e eu saí daquela festa só com a lembrança de uma noite maravilhosa.
Por mais uma outra carga de coincidências e acidentes que fizeram tudo parecer tão certo, afinal mal havíamos trocado nossos nomes, 4 dias depois, meu celular toca no meio da madrugada e era ele.

São histórias que você custa a acreditar e que acha que nunca vão acontecer com você. Mas aconteceu comigo, e por alguns dias eu vivi tudo o que se pode esperar de uma grande história que caminha para um final feliz.

Assistimos o pôr-do-sol abraçados, eu ouvi coisas que há muito gostaria de ouvir de alguém, e nada mais parecia me importar tanto.
Por 1 semana.

Não sei se essas coisas aconteceram na minha vida pra provar que talvez eu nem sofra da deformidade facial severa, ou se algum anjo traquinas quis me dar o gostinho da felicidade por 7 dias e me tirar logo em seguida, me devolvendo ao tédio da minha vida normalzinha.

O fato é que eu estraguei tudo. Ou tudo já estava estragado e eu não queria ver.
Esse meu medo de me apegar; a necessidade de deixar claro que eu sou assim, meio solta na vida, acabaram levando embora alguém que certamente valeria a pena.

Olhando agora, eu vejo que ele foi mais perfeito ainda.
Mais perfeito, por que além das lembranças, grandes lembranças, ele me deixa a lição que melhor do que saber deixar as pessoas partirem é saber deixar elas permanecerem caso queiram.
E eu não sei.