segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Ele sempre me passa a perna.

Já havia tomado uma dose de Montilla, sentada em seu próprio mundo mais cedo.
Quando o celular tocou, ela sabia que era um convite.

Chegou no novo lugar e sentou-se em uma mesa de estranhos, rapidamente sendo apresentada a todos eles, percebeu que não eram tão estranhos assim, com a maioria, ela tinha 2 ou 3 amigos em comum, e muito provavelmente já os tinha visto em reuniões e aniversários, muito típico da cidade onde vivia.

Mais Montilla.

De repente, um nome pronunciado esfriou sua espinha. Tentavam ligar pra ele, para que ele se juntasse ao grupo.
Talvez tenha sido a força do pensamento dela, ou alguém lá em cima que resolveu colaborar dessa vez, ele não atendeu o celular.

- Deve estar com a Sofia - alguém falou.
- Nunca esperava que eles fossem namorar - outro disse.

Dessa vez o arrepio foi maior. Ela também não esperava. E de repente ele era o assunto da mesa, o quanto ele lutou pra estar com Sofia e o quanto os dois se completavam.
Desesperadamente, ela precisava ir no banheiro, mas suas pernas não se mexiam. Chamou o garçom e pediu mais uma Montilla, ele disse que não estava atendendo aquela mesa.

Sem muita agilidade, arredou a cadeira e foi até o bar. Não sabe com quanta falta de agilidade fez isso, muito mais pelo impacto da notícia do que pela própria bebida, mas alguém levantou-se também e andou com ela até o bar, encostando-se no balcão.

- Aconteceu alguma coisa?
O peito de ferro esquentava por dentro, como poucas vezes o fazia, contratando com o frio toque do mármore do balcão em sua cintura.
- Não, tá tudo bem - pegou o novo copo de Montilla e virou de uma vez só.

- Olha, eu realmente preciso ir - ela disse pegando a chave do carro e colocando um resto de dinheiro no bolso.
- Eu sei que farias ele mais feliz do que ela, era tudo o que eu queria te dizer.

De repente congelou. Ali estava um estranho, alguém que ela acabara de conhecer, como ela podia ter pensamentos tão transparentes assim?

- Ele me contou - ele interveio como se adivinhasse.
- Ah... - ela soltou num muxoxo.
- Olha, talvez tenha sido a coisa errada, na hora errada...

Ela o interrompeu, e olhou para as gotas de água que molhavam o balcão do bar.
- Não se preocupe, ele sabe ser feliz com quem quer que seja.

Virou-se e saiu.
Deixou junto com as gotas do balcão, os últimos pedacinhos do que lhe restava de um coração que insistia em se apaixonar.

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