Mostrando postagens com marcador Monbusho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Monbusho. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Da qualificação.

Depois de anos afastada, voltei para comunicar ao além que ontem finalmente defendi minha qualificação no mestrado.
Mesmo aos trancos e barrancos, mesmo com toda a dificuldade, não posso negar que adoro meu mestrado, pra mim, estar enfiada em um jaleco dentro de um laboratório sempre me fez estar à vontade, e se um dia eu tiver 'um-lab-pra-chamar-de-meu', muito melhor.
Sai da Universidade 89 páginas mais leve, aprovada com 9,8 e só faltando mais algumas 200 páginas para finalmente obter o meu título.
Depois disso, começo realmente a me preocupar com a viagem para o Japão, por que até agora, a ficha ainda não caiu não.
Na verdade tenho medo.
Tenho medo de um japinha lá do ministério ligar e dizer que eles não me querem lá de jeito nenhum e ver meu sonho se esvair, assim, de repente.
Por isso tinha prometido não postar nada aqui, nem comentar mais nada até ter meu visto na mão.
Mas a ansiedade tá me matando. Peso.
Queria ter pessoas para conversar sobre, mas meus amigos já tem alergia à palavra Japão e não conheço os outros aprovados.
O jeito é esperar...

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Das mudanças.

Essa semana recebi a notícia que mudaria tudo.
Fui aprovada na seleção regional do Monbukagakusho.
Munbo... o que?
Isso aí mesmo, Monbusho para os íntimos.

Monbusho é um programa que concede bolsas a extrangeiros que desejem estudar no Japão e tenham certo domínio da língua inglesa e/ou japonesa. Para as Bolsas de Pesquisa, está incluído um curso de seis meses de japonês na programação. O que é o meu caso.
Isso muda bastante tudo o que eu chamo de vida até aqui. São 7 anos. Do outro lado do mundo, cercada de pessoas que nem de longe, falam algo próximo ao seu idioma. Por que embarquei nessa? Assunto pra posts futuros. Hoje, quero falar um pouquinho sobre a bolsa em si. É bom dividir nossas experiências, já que as experiências dos demais candidatos me ajudaram demais a chegar até a fase onde estou agora.

O post é imenso, então, pare por aqui, ou... senta que lá vem história.

Temos 5 fases a serem cumpridas para os alunos que se escrevem para a pós-graduação do outro lado do mundo, e eu acredito que para as outras escolaridades, seja algo semelhante.

1º- Documentação: O consulado solicita uma papelada imensa, e se você quer mesmo concorrer a essa bolsa, comece a providenciar tudo MESES antes. O dedo que vos digita, começou 2 semanas antes, e por 1 minuto, quase fica pelo meio do caminho.

Os documentos exigidos são: Esses aqui, e 2 cópias de cada versão (português e inglês) do seu currículo, certificados, declarações de estágio e afins.
O consulado recebe tudo, avalia (e acredite, eles avaliam MESMO, reclamaram que eu tinha escrito em algumas páginas com Times 11 e outras Times 12, economia de papel, rsrs), e lhe 'convida' a fazer a prova, caso tudo esteja ok com a documentação.

2º- Prova de línguas (japonês e inglês): É o que acaba peneirando mesmo todo mundo. A prova é um tanto quanto cruel, não pelo conteúdo em si, que exige (no meu caso, que só fiz inglês) algo como um 6º-7º Nível. Para mim, a prova de japonês era opcional. Apesar de estudar japonês há algum tempo, preferi entregar em branco, não me pergunte o porquê. O regulamento diz que é levado em consideração a maior nota entre as duas provas, e me foi informado que a nota de corte é 8,0. O cruel da prova, é o tempo. Portanto, se você realmente tem intenção de fazer, prepare-se. São 60 questões, 60 minutos. Não há prorrogação, nem choro.
As provas passadas são um ótimo 'esquenta' e podem ser encontradas aqui.

3º- Entrevista com o cônsul do Japão no Brasil: Esse sim é o passo "vou-não-vou", seu futuro é decidido aqui. Mal lembro da minha entrevista, há um bloqueio na minha memória que se estende do momento em que entrei na sala até a hora em que saí pela porta do consulado, portanto, posso dar poucas informações. A entrevista é feita em inglês, e algumas das perguntas que eu consigo pescar no fundo do meu subconsciente são:
"Fale sobre você"
"Por quê Japão?"
"Você já sabe japonês? Tem vontade de aprender?"
"O que pretende fazer quando voltar ao Brasil?"
"Caso você não seja contemplada com a bolsa, quais os seus planos em relação ao Japão?"

Essa é a fase da neura. As semanas após a entrevista são eternas, e a cada vez que meu celular tocava, eu dava um pulo. Nunca era do consulado. Eu já estava beeem desanimada, mas beeem mesmo, até por que não conseguia lembrar o quanto tinha ido bem o mal na entrevista. Mas eis que... sou chamada no consulado, e recebo esta carta:

Meu estômago revirou, meu mundo ficou mais colorido, corri para o DVD e assisti o Home Made Kazoku cantar No Rain, No Rainbow e pensei: Puta merda! No show do DVD do ano que vem tô lá.... puta merda! puta merda! *Fim do momento fã e pessoa histérica*. Gritei pela casa, corri, ri, me joguei no chão e ok, ok, você não quer ler isso, então, vamos para a próxima fase:

4º - Exames Médicos: vista, cardíaco, audição, hemograma completo, entre outros. Um clínico geral tem que preencher o formulário em inglês com seu estado de saúde (Farei isto na próxima semana!).

5º - Carta de Aceitação: O candidato precisa ser aceito em uma universidade japonesa como estudante de pós-graduação e a carta de aceitação precisa ser enviada pela universidade japonesa ao consulado do Japão no Brasil. Esse processo precisa correr em paralelo com a bolsa, pois são independentes um do outro. Ou seja, o aluno pode conseguir a bolsa e não conseguir ser aprovado numa universidade japonesa, ou vice-versa. Portanto, eu recomendo que caso estejam pensando em concorrer à bolsa, DESDE JÁ, entrem em contato com as universidades japonesas, é bom que vocês tenham esta parte agilizada, para evitar transtornos. Eu ainda estou correndo atrás, mas creio que tudo esteja se encaminhando da melhor forma.

Ao longo do processo, espero voltar a falar um pouco mais sobre tudo aqui, e sobre minha própria jornada rumo à minha nova vida. Até lá, sei que ainda tenho um bom chão, e muita coisa a fazer pela frente, coragem e vontade não faltam, só resta saber o que vem depois da próxima curva...

segunda-feira, 14 de junho de 2010

No rain...

Japão...
Se existe uma palavra que resume os últimos meses da minha existência, certamente é essa.





Ok, eu explico.
Lembro que quando eu era criança, mesmo, minha ligação com o Japão não passava muito do fato de eu ter sido apaixonada pelo Jiraya. Sério. Pelo Black Kamen Rider também.
O tempo passou, e por influência da nirmã e mais tarde pelo grande número de amigos descendentes que fiz pela vida, a admiração por este pedacinho de terra do outro lado do mundo, só fez crescer.
Hoje o Japão é pra mim, talvez, a grande tacada do meu futuro. Pode ser uma mera ilusão, ou fuga da realidade, mas tenho impressão, que a simples travessia por um portão de imigração me trará uma vida completamente nova e feliz.
Por isso tenho tentado ultimamente ir embora daqui. Largar pra trás tudo o que conheço, tudo o que me é familiar por uma nova chance de tentar.
Se tenho medo? Muito.
Mas é por algumas horas, que eu tenho um sentimento de certeza tão grande, que sei que esse é o caminho.

Se a minha boa vontade em escrever continuar, vou tentar relatar aqui, todos os passos da minha empreitada. Será bom reler quando eu estiver por lá...

So... Cya! ^_^"